“Só existem dezenas de influencers porque há milhões de idiotas”
Seja em reuniões de trabalho, em almoços ou jantares de amigos, a quantidade de influencers, o seu estilo, credibilidade e argumentos – entre outros detalhes – têm gerado acesas discussões.
Sobretudo as gerações acima dos 50 anos dizem-se à prova de influencers e apontam o dedo à ignorância dos mais novos, como razão para este fenómeno. “Só existem influenciadores por que há milhões de idiotas…”, é uma frase que muitos de nós já ouvimos por aí.
Do outro lado da barricada, destacam-se as virtudes deste ou daquele influencer, que no Instagram ou Facebook explica tim-tim-por-tim-tim os últimos segredos do iphone 14, as vantagens do novo creme anti-rugas ou como se faz uma viagem a Bali ou Paris sem gastar dinheiro.
Ainda tem dúvidas? Goste-se ou não, se o leitor está do lado dos mais céticos, há duas realidades que importa encarar:
1. O marketing de influência é uma realidade que passou a fazer parte da maioria dos planos de marketing;
2. É eficiente e tem contribuído para alavancar as vendas de produtos e serviços no mundo inteiro.
Aqui, na Brandscape, há muito tempo que temos a noção disto, e os dados também o confirmam.
Todos sabemos que o mercado digital brasileiro é uma referência para qualquer analista de marketing digital. Um autêntico laboratório. Por isso, considerámos alguns dados muito elucidativos sobre o actual impacto do marketing de influência.
Por exemplo, em 2022, o Opinion Box estimou que 77% dos “internautas” brasileiros afirmam seguir algum influenciador digital nas suas redes sociais.
Quantidade não significa que estes influenciadores tenham efetiva influencia nos seus targets, pensará o leitor. Pois é, mas o mesmo estudo afirma que 55% desses “internautas” já compraram por indicação de um influencer.
E se acha que em Portugal há influencers a mais, fique com a informação de que no Brasil existem cerca de 500 mil influenciadores digitais.
O número não para de subir, o que confirma o crescimento do mercado e evidencia a sua capacidade para gerar resultados. E os números e o estudo da Opinion Box são apenas um exemplo. Basta fazer uma pesquisa online para encontrar outras fontes, que apontam no mesmo sentido.
Mas porque é que isto acontece? A resposta é mais simples do que parece: o ativo mais importante da internet é a atenção das pessoas. Sim, antigamente as marcas garantiam seu espaço e relevância ao comprar um anúncio – espaço de publicidade – numa revista, jornal ou num determinado horário na TV.
Estas opções não deixaram de fazer sentido, mas já não são suficientes. Para disputar a atenção dos consumidores nos ambientes digitais, as empresas precisam de estar associadas a uma rede de influência.
As pessoas acabam por estar ligadas e estabelecer uma relação de confiança com os influenciadores pela forma como estes comunicam, como são autênticos e credíveis, na utilidade da informação que partilham, criatividade, entre muitos outros aspetos.
Sobretudo quem trabalha em marketing também já ouviu dizer que as pessoas conectam-se com pessoas e não com marcas.
Afinal, todos nós somos influenciados desde os primeiros anos de vida, replicando na vida adulta atitudes e hábitos que vimos nos nossos pais.
Se recuarmos aos tempos do liceu e da juventude, quem nunca desejou aquele blusão ou os sapatos que aquele colega mais popular usava? Está a acontecer o mesmo com no marketing de influência.
Como é que está a comprar por influência – mesmo sem se dar conta? O mesmo estudo, citado pela Opinion Box, garante que 38% dos entrevistados já compraram por indicação de influenciadores – sendo que já estavam interessados em determinado produto.
Afirmam, contudo, que ver alguém a utilizar o produto, testá-lo e garantir a sua qualidade, foi determinante para a compra.
Outros motivos apontados pelas pessoas que evidenciam o atual poder de um influenciador:
- 27% | Afirmaram que já precisavam do produto e o influenciador recordou-as dessa necessidade;
- 24% | Não conheciam o produto e o interesse pela compra surgiu através da publicidade feita pelo influencer;
- 23% | Compraram porque confiam no bom gosto do influenciador;
- 16% | Queriam ter o mesmo resultado apresentado pelo influencer.
Ou seja, muitas vezes, é o influencer que dá aquele pequeno toque que desbloqueia a compra.
O influencer também é capaz de ajudar a gerar desejo pelo produto, sendo que pode atingir o target em diferentes momentos da jornada de compra.
Goste-se ou não? O marketing de influência – voltamos a dizer – passou a ser uma realidade incontornável.
Fazer deste assunto uma conversa tipo Benfica-Sporting até pode entreter, mas é uma perca de tempo para quem precisa de começar a vender mais…hoje mesmo.
E porque o tema não se esgota neste artigo – longe disso – é certo de que voltaremos em breve com mais informação.
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